
A Agroindústria Costa Dias é uma vinícola familiar localizada na Ilha dos Marinheiros, no município de Rio Grande – RS, um território que carrega não apenas produção, mas história viva.
Situada na maior ilha do estado, em meio à Lagoa dos Patos, a Ilha dos Marinheiros é considerada patrimônio da cidade pela preservação de valores herdados da cultura portuguesa. Foi com esses colonizadores que chegaram também os saberes da produção do vinho e da jeropiga, tradição que atravessa gerações.
Desde os primórdios da fundação de Rio Grande, a ilha teve papel essencial no desenvolvimento da região, fornecendo água, lenha e madeira para as primeiras construções e abastecendo o comércio local. Hoje, segue sendo um polo produtivo relevante, responsável por cerca de 80% das hortaliças consumidas no município. Em 1845, recebeu a visita de Dom Pedro II, fato que permanece registrado na memória local através da Rua do Rei, um de seus pontos turísticos.
É nesse cenário que a história da família Costa Dias se entrelaça com a própria história da ilha. A tradição da jeropiga remonta ao início do século 20, quando o português José de Oliveira e Silva, tataravô de Hermes da Silva Dias, já produzia o vinho licoroso na região. Na época, a bebida era feita de forma artesanal e compartilhada entre familiares e vizinhos, especialmente durante o inverno, reforçando vínculos comunitários.
Com o passar das décadas, esse saber foi sendo transmitido e preservado. Rosangela Costa Dias, agricultora e também descendente de portugueses produtores de jeropiga, relembra que, na infância, a bebida fazia parte do cotidiano, muitas vezes misturada à gemada e à canela, consumida como uma espécie de fortificante — um costume que ficou no passado, mas que revela a presença da jeropiga na cultura local.

Tradicional em regiões de Portugal, especialmente no centro e norte, a jeropiga encontrou na Ilha dos Marinheiros um novo território de pertencimento. Em Rio Grande, há cerca de 18 anos, tornou-se a bebida símbolo do município e também foi reconhecida como patrimônio imaterial, consolidando o valor cultural e histórico desse produto.
Em 2006 tornou-se bebida Símbolo da Cidade do Rio Grande através de um Projeto de Lei da Câmara Municipal;
Em 2010 a forma de produzir tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade através da Câmara Municipal da cidade;
Em 2022 entramos para o Guia Sabores do Sul, como um dos 50 produtos do RS com qualidade premium. “Bebida Artesanal Qualidade Premium”;

